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Friday, May 24, 2019

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A MINHA PATRIA E LA LINGUA PORTUGUESA--Malacca










"MY HOMELAND IS THE PORTUGUESE LANGUAGE"



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2 comments:

Ian Keenan said...

That's a quote from Pessoa's Book of Disquiet:

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. “Fabricou Salomão um palácio…” E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

“Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa

Linh Dinh said...

Yo Ian,

Wow! Thanks for letting us know. Amazing, a bar in a long exiled community, with blood much diluted, quoting a 20th century poet!


Linh

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About Me

Born in Vietnam in 1963, I lived mostly in the US from 1975 until 2018, but have returned to Vietnam, where I live in remote Ea Kly. I've also lived in Italy, England and Germany. I'm the author of a non-fiction book, Postcards from the End of America (2017), a novel, Love Like Hate (2010), two books of stories, Fake House (2000) and Blood and Soap (2004), and six collections of poems, with a Collected Poems apparently cancelled by Chax Press from external pressure. I've been anthologized in Best American Poetry 2000, 2004, 2007, Great American Prose Poems from Poe to the Present, Postmodern American Poetry: a Norton Anthology (vol. 2) and Flash Fiction International: Very Short Stories From Around the World, etc. I'm also editor of Night, Again: Contemporary Fiction from Vietnam (1996) and The Deluge: New Vietnamese Poetry (2013). My writing has been translated into Japanese, Italian, Spanish, French, Dutch, German, Portuguese, Korean, Arabic, Icelandic and Finnish, and I've been invited to read in Tokyo, London, Cambridge, Brighton, Paris, Berlin, Leipzig, Halle, Reykjavik, Toronto, Singapore and all over the US. I've also published widely in Vietnamese.